Da Forma à Essência: Minha Revolução na Arquitetura
- Arquitetura e Interiores Isabella Dalfovo
- 21 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
Vinte anos. Duas décadas desenhando sonhos, moldando espaços e, acima de tudo, aprendendo. Hoje, olho para trás e vejo que minha visão sobre o que é uma arquitetura de verdadeiramente qualitativa não apenas evoluiu – ela se transformou por completo. Os
conceitos que um dia absorvi na academia deram lugar a uma nova verdade, mais humana, mais viva. E é sobre isso que quero falar com você hoje.
Saímos da faculdade com o coração acelerado, ansiosos para deixar nossa marca no mundo. Queremos criar obras icônicas, que carreguem nossa assinatura inconfundível. É natural: todo arquiteto busca um traço único, inspira-se nos grandes mestres e sonha em ver seu estilo reconhecido nas ruas e skyline das cidades. Eu também fui assim. Completamente.
Mas com o tempo, algo começou a me inquietar. Percebi que a arquitetura ao meu redor estava se tornando… monótona. As mesmas linhas retas, os mesmos volumes puros, os mesmos revestimentos. O contemporâneo, outrora tão revolucionário e belo, foi aos poucos se transformando em uma coleção de “caixotes” modernos – ou pior, em repetições cansativas de estilos passados, como o clássico e neoclássico, recriados sem alma ou contexto.
A arquitetura, meus amigos, deve ser o espelho do seu tempo. Deve respirar o agora. Mas qual é a graça de ficarmos copiando o que já foi feito, por mais belo que seja? A pandemia foi um período de profunda reflexão para mim. Mergulhei em questionamentos: qual seria a nova arquitetura? Que traços e características o ser humano de hoje – e do futuro – realmente precisa? Onde nós, arquitetos, estávamos errando?
A resposta veio como um choque. A internet, que prometia um mundo de pluralidade, paradoxalmente criou um senso comum de referências. Clientes e arquitetos passaram a buscar inspiração não na vida, mas no que meros algoritmos lhes mostravam. Perdemos o tato, a capacidade de interpretar singularidades. As feiras e mostras de arquitetura, em vez de celebrar a diversidade, só reforçaram essa mesmice tediosa.
É inacreditável, mas aconteceu exatamente como na moda: criamos “desfiles de tendências” arquitetônicas. Hoje, é fácil adivinhar se um projeto foi feito em 2022 ou 2023 – os mesmos materiais de fachada, as mesmas paletas de cor, os mesmos móveis. Tudo variações do mesmo tema ditado pelo mercado.
Será que estou errada? Como explicar que, no passado, com menos tecnologia e variedade de materiais, a arquitetura era tão revolucionária e personalizada?
Foi esse incômodo que me fez dar um passo atrás. Parei de correr para todos os eventos, mostras e lançamentos de fornecedores. Decidi limpar minha mente para poder criar livremente. Menos referências externas, mais arquitetura interior. E isso, eu digo com o coração aberto, revolucionou completamente a minha forma de projetar.
Hoje, busco uma arquitetura que nasce do encontro genuíno com cada cliente, cada lugar, cada história. Uma arquitetura que não quer ser tendência – quer ser verdade.
E você, já parou para pensar que arquitetura quer ver no mundo?
Autoria: Arquiteta Isabella Dalfovo





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