Arquitetura Sacra - Capela à Ressurreição
- Arquitetura e Interiores Isabella Dalfovo
- 21 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
Arquitetura que Eleva a Alma: A Emoção de Projetar Espaços Sagrados
Como vocês sabem, meu coração bate mais forte não apenas pelas residências, mas também por um campo que descobri aos 27 anos e que hoje é uma das minhas grandes paixões: a Arquitetura Sacra.
Na faculdade, estudamos a história da arquitetura através das igrejas e templos religiosos de diferentes épocas – verdadeiras obras-primas que desafiaram o tempo. Mas nada se compara à emoção que senti quando o então arcebispo da Arquidiocese de Cascavel me convidou para projetar a minha primeira igreja. Foi um daqueles momentos que mudam para sempre a forma como enxergamos nossa própria trajetória.
E em 2025, tive a bênção de mergulhar em um projeto tão especial quanto este: a Capela à Ressurreição, concebida para a Transportadora Pra Frente Brasil, aqui em Cascavel.
Singela em tamanho, mas gigante em significado. Essa capela foi pensada para ser muito mais que um espaço físico – é um refúgio de fé, memória e paz.
Arquitetonicamente, busquei unir o tradicional e o contemporâneo. Mantive a essência das capelas clássicas, mas com uma linguagem atual, limpa e cheia de simbolismo. Os materiais foram escolhidos com intenção: pedra e madeira, que falam de solidez, terra e humanidade.
O forro interno acompanha suavemente a inclinação do telhado, criando um sentido de elevação – como se nos conduzisse para o alto, para o silêncio, para o sagrado.
E a luz… ah, a luz! Ela chega de forma indireta e é transformada pelos vitrais em tons de azul, que tingem o ambiente de serenidade e convidam à contemplação.
Do lado externo, três elementos contam uma história de fé e esperança: a imagem de São Cristóvão, protetor dos caminhoneiros; um impactante Cristo Ressuscitado na entrada; e uma suave cascata de água, simbolizando a vida que renasce, que flui, que se transforma.
Esta capela é mais que um projeto – é uma homenagem tocante aos membros da família fundadora que se foram muito cedo, em um trágico acidente aéreo. É um lugar de luto, mas também de celebração. De lembrar que, para quem crê, a morte não é o fim.
Estou ansiosa – e emocionada – para ver esta obra ganhar vida. Para ver as preces ecoarem entre essas paredes, abençoando cada detalhe, cada pedra, cada raio de luz.
Porque no fim, é isso que move a arquitetura sacra: não apenas construir espaços, mas criar pontes entre o humano e o divino.
Autoria: Arquiteta Isabella Dalfovo











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