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Lagos de Madu - Antes e Depois

Antes e depois, uma casa de campo térrea transformada em uma casa de dois pavimentos.

O projeto começa por um diagnóstico afetuoso, não apenas técnico. A casa de campo dos Lagos de Madu era térrea, com o telhado em telhas de barro, com aquele caráter de casa de fim de semana construída para uma fase da família. O lago, originalmente o grande atrativo do terreno, já estava obsoleto —sombras paradas, geometria simples, sem uso. O conjunto, como um todo, pedia um gesto decisivo: ou se preservava como patrimônio da memória, ou se transformava para voltar a fazer sentido na vida dos seus moradores.

A escolha do cliente foi clara: transformar. Mas transformar sem romper o vínculo. E aí começa o trabalho de projeto.

O primeiro movimento foi devolver o espelho d'água ao centro do projeto —não o mesmo lago, mas um novo corpo d'água que fizesse jus ao lugar. Trabalhamos as formas orgânicas: sem bordas duras, sem retângulos. As margens ganharam movimento suave, como se a própria chuva tivesse desenhado o contorno.

A decisão mais decisiva foi o fundo pintado em tom de areia. Por si só, essa camada cromática muda radicalmente a leitura da piscina. A água, vista de cima, ganha o caráter de uma praia artificial: rasa, quente, clara. Sob a luz da tarde, o efeito é quase cinematográfico —o reflexo do céu sobre o tom de areia faz a piscina conversar com a areia do entorno, diluindo a presença técnica do equipamento e integrando-o à paisagem.

O resultado não é apenas estético: reorganiza a vida da casa. A piscina deixa de ser um acessório e vira âncora — redefinindo percursos, abrigando a área de estar externa, organizando a circulação entre os novos volumes.

A casa nasceu térrea; o programa exigia um pavimento inteiro a mais, com suítes dedicadas a hóspedes. Crescer em alvenaria convencional teria exigido reforços pesados, escoramentos longos e uma obra invasiva na casa em uso.

Foi nesse ponto que o steel frame entrou como tecnologia decisiva do projeto. Estrutura em aço galvanizado leve, painéis pré-fabricados, controle milimétrico de prumo e nível. As vantagens foram três, todas decisivas para um projeto de campo:

  • Rapidez construtiva — a casa continuou sendo usada durante boa parte da obra, algo impensável numa reforma pesada em alvenaria.

  • Previsibilidade — orçamento e prazo se aproximam do projeto com baixíssimo desvio.

  • Leveza estrutural — a carga adicional sobre o térreo existente foi mínima, preservando a integridade da casa original.

O steel frame, aqui, não é uma decisão puramente técnica: é uma escolha de respeito à memória da casa. Permite que o térreo permaneça reconhecível enquanto lá em cima nasce um andar inteiramente novo.

Sobre o andar ganho em steel frame, trabalhamos a volumetria em estruturas de eucalipto tratado. A madeira não é envernizada nem aparente da forma tradicional; ela é componente estrutural visível, mas com controle de proporção, modulação e desenho que a colocam em outro registro.

A intenção é uma só: equilíbrio entre o tradicional e o sofisticado. O eucalipto entra como assinatura material de uma casa de campo contemporânea. Não é a cabana nostálgica nem o chalé de madeira decorativa — é um gesto calibrado, onde a expressividade do material aparece onde precisa aparecer e desaparece onde precisa desaparecer. A volumetria final dialoga com as telhas de barro originais, atualiza o conjunto e, ao mesmo tempo, preserva a sensação de rusticidade e da casa de campo.

A grande transformação que o Lagos de Madu oferece não está em uma cena isolada — está no conjunto. Quando se olha o projeto pronto, vê-se:

  • Térreo preservado, ainda reconhecível, com telhas de barro.

  • Novo andar, resolvido em steel frame, com suítes de hóspedes organizadas com privacidade própria.

  • Piscina natural com fundo de areia, redesenhada a partir do lago obsoleto, agora ponto focal do terreno.

  • Eucalipto tratado dando escala, sombra filtrada e ritmo à volumetria.

A reforma atinge algo que nem toda reforma atinge: a casa consegue, ao mesmo tempo, lembrar o que foi e ser completamente diferente do que é. Não é uma casa nova disfarçada de antiga nem uma antiga rejuvenescida com retoques — é uma casa nova, que honra o lugar onde existia.

O Lagos de Madu mostra três princípios do trabalho que conduzimos no escritório:

Primeiro: um lago obsoleto não é um problema a ser removido — pode ser uma oportunidade criativa a ser redesenhada.

Segundo: quando o programa pede para crescer verticalmente, steel frame é frequentemente a tecnologia certa — menos invasiva, mais previsível, estruturalmente respeitosa com o que existe.

Terceiro: a madeira, especificamente o eucalipto tratado, quando bem modulado, resolve a difícil equação das casas de campo contemporâneas: a de parecer tradicional sem nunca cair no rústico genérico.

Para quem pensa em reformar uma casa de campo, o caso é emblemático: a reforma bem conduzida não é uma troca — é uma reescrita, em que o que importa é preservado e o que ainda pode crescer é plenamente desenhado.



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30

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50

Locations

200

Volunteers

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